A festa acabou, e agora? O que fazer quando o corpo sente o carnaval

 

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Dias de festa intensa, poucas horas de sono, alimentação desregulada, consumo maior de álcool e longos períodos em pé fazem parte do roteiro carnavalesco e também explicam por que, quando a última fantasia volta para o armário, o corpo costuma dar sinais claros de esgotamento. O pós-carnaval é um momento-chave para restaurar o equilíbrio físico e emocional, indo muito além da ressaca tradicional.

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Imunidade baixa, inflamações silenciosas, alterações cardiovasculares e impactos na pele, nos cabelos e no humor podem se prolongar se não houver atenção. Especialistas explicam como reorganizar o organismo e retomar o bem-estar nas semanas seguintes à folia.

A queda de energia sentida após o carnaval não está relacionada apenas ao cansaço pontual. Segundo o farmacêutico-bioquímico Douglas Andrés Valverde, especialista em análises clínicas e toxicologia clínica, a imunidade costuma ser uma das áreas mais afetadas.

"Imunidade vai muito além de apenas não ficar doente. Quando ela não está bem, a pessoa pode até não apresentar uma doença específica, mas se sente cansada, indisposta, com dores frequentes e mais sensível ao estresse do dia a dia", explica. Para ele, a desorganização do sono, da alimentação e da hidratação compromete diretamente a capacidade de recuperação do organismo.

O sistema digestivo também costuma sentir os excessos. A nutricionista Mariana Rubio chama atenção para o impacto do álcool e da falta de rotina alimentar sobre o intestino. "O excesso de álcool e a falta de rotina alimentar prejudicam o funcionamento intestinal e favorecem inflamações", afirma. Esse desequilíbrio, segundo a especialista, pode se manifestar por meio de inchaço abdominal, queda da imunidade e maior vulnerabilidade a infecções.

A ressaca, por sua vez, vai além da dor de cabeça clássica. Para a nutricionista Laita Balbio, ela é um sinal claro de que o corpo entrou em sobrecarga metabólica e desidratação. "A ressaca é um pedido de pausa do corpo. Hidratar bem, priorizar alimentos leves, ricos em minerais e antioxidantes, e evitar jejum prolongado ajudam o organismo a se reorganizar mais rápido", orienta.

Entre quem passou horas pulando atrás de blocos ou dançando sem preparo físico, a atenção aos músculos é fundamental. O nutrólogo e médico do esporte Felipe Cezar ressalta que o retorno às atividades deve ser gradual. "O músculo também precisa de recuperação. Dormir bem, respeitar dias de pausa e retomar os exercícios de forma gradual evita lesões, inflamações e queda de rendimento", esclarece.

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O coração também merece vigilância nesse período. De acordo com o cardiologista Rodrigo Souza, noites mal dormidas, consumo de álcool e desidratação afetam diretamente o sistema cardiovascular. "A prevenção hoje é a principal ferramenta para reduzir mortes evitáveis. Esperar sintomas claros pode ser um erro grave", alerta. Cansaço extremo, palpitações e falta de ar após o carnaval, segundo ele, não devem ser normalizados e podem indicar a necessidade de avaliação médica.

Na pele, os sinais da maratona carnavalesca costumam aparecer rapidamente. A dermatologista Camila Sampaio pontua que maquiagem pesada, purpurina e exposição solar exigem um cuidado especial no pós-folia. "Após o carnaval, a pele precisa de reparação. Limpar profundamente, restaurar a barreira cutânea e evitar procedimentos agressivos nos primeiros dias ajuda a devolver o equilíbrio e o viço", detalha

Os cabelos também entram na lista dos mais prejudicados. O especialista em queda capilar e transplante capilar Vlassios Marangos pontua que o acúmulo de produtos e o calor excessivo podem irritar o couro cabeludo. "O acúmulo de produtos e a dificuldade de remover purpurina podem irritar o couro cabeludo. Lavagens suaves, hidratação e evitar tração excessiva são fundamentais para prevenir queda temporária", afirma.

Para quem busca recuperar o aspecto descansado do rosto, a cirurgiã-dentista e especialista em harmonização facial Amanda Santos defende uma abordagem mais delicada. "O ideal é apostar em hidratação, estímulo de colágeno leve e cuidados que devolvam o viço natural, sem sobrecarregar a pele já sensibilizada", explica.

Algumas condições clínicas, inclusive, podem se agravar após os dias de excessos. O ginecologista Igor Chiminacio chama atenção para mulheres com endometriose, que frequentemente relatam piora dos sintomas no período. "A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Tudo o que aumenta inflamação, retenção de líquido e fadiga pode intensificar a dor pélvica e o mal-estar geral", diz. Manter a hidratação, respeitar os limites do corpo e não interromper tratamentos faz parte do cuidado.

Além disso, a circulação intensa de pessoas favorece a disseminação de vírus respiratórios. A otorrinolaringologista Renata Lopes reforça que sintomas como coriza, espirros e congestão nasal costumam ser comuns após grandes aglomerações. "O resfriado é autolimitado e melhora com hidratação e repouso. Já a persistência dos sintomas ou piora após alguns dias pode indicar sinusite e merece avaliação", conclui, alertando para os riscos do uso indiscriminado de antibióticos.