Hackers irão tirar proveito de vulneratilidades apontadas pela IA, diz VP de segurança da Anthropic Getty Images
Em uma publicação nas redes sociais sobre a falha de segurança no PHP, Jason Clinton, vice-diretor de segurança da informação (deputy CISO) da Anthropic, fez um alerta contundente: “Por pior que a situação tenha ficado nos últimos quatro dias, ela vai piorar muito antes de melhorar”.
Isso porque a IA deve continuar a expor novas vulnerabilidades para hackers, relata o The Telegraph. Segundo Clinton, falhas de software recém-descobertas podem surgir mais rapidamente do que os operadores conseguem corrigi-las, deixando a infraestrutura crítica vulnerável a ataques.
Seus comentários surgiram após a descoberta de duas falhas críticas de longa data na linguagem de programação PHP — uma espécie de “infraestrutura básica” da internet, utilizada por 70% dos sites em todo o mundo. A descoberta levou dezenas de órgãos do governo do Reino Unido a ficarem offline; forças policiais também foram afetadas.
Segundo Clinton, líderes de segurança de empresas e governos deveriam aproveitar esse colapso para solicitar mais suporte tecnológico aos seus superiores. “Nunca desperdicem uma crise.
Procurem seus conselhos de administração e peçam ajuda agora mesmo. Precisamos resistir pelos próximos 18 meses”.
Ele também recomendou que as empresas reforcem imediatamente suas defesas básicas, alertando que os incidentes cibernéticos recentes são apenas o começo. "Precisamos resistir por cerca de 18 meses", disse ele no X.
O executivo disse que um “tsunami de vulnerabilidades está chegando em poucos meses, e não haverá tempo suficiente para aplicar correções na infraestrutura crítica”. Isso reflete a preocupação de que ferramentas de IA sejam cada vez mais utilizadas para expor vulnerabilidades ocultas na infraestrutura online global, relata o Daily Mirror.
As falhas no protocolo PHP foram descobertas por meio de ferramentas de IA desenvolvidas pela OpenAI (criadora do ChatGPT) e pelo Google. Essas falhas representam uma ameaça, pois podem permitir que hackers assumam o controle de sites, possibilitando o roubo de dados ou a espionagem de organizações.
Órgãos governamentais ao redor do mundo recomendaram imediatamente que sites saíssem do ar, caso não fosse possível corrigir o problema de imediato. O alerta de Clinton surgiu no momento em que a PwC confirmou ter sido alvo de um ataque cibernético, por meio do qual mais de 590 gigabytes de dados foram subtraídos de uma plataforma de terceiros.
O ataque resultou na extração de mais de 108.000 arquivos da consultoria — uma das "quatro grandes" (Big Four) — abrangendo suas operações no Reino Unido, Canadá, China e Austrália. Um porta-voz da PwC declarou: “Estamos cientes de um incidente envolvendo um site de um fornecedor terceirizado da PwC, utilizado para armazenar registros de treinamentos da empresa.
O site afetado não contém dados de clientes, informações pessoais sensíveis ou dados financeiros.” Fora do ar
Portais governamentais, sites de hospitais e serviços escolares ficaram fora do ar em todo o mundo na quarta-feira, enquanto operadores corriam para se proteger contra duas falhas críticas de software encontradas no PHP — uma linguagem de programação utilizada para sustentar até 70% dos sites ao redor do mundo.
Um dia depois, grandes bancos dos EUA relataram que agentes de IA de terceiros acessaram contas de clientes e realizaram transações. Um executivo sênior de segurança da Anthropic alertou que a internet pode enfrentar uma crise cibernética iminente, deixando serviços vitais expostos a hackers.
Em suas postagens no X, Clinton instou os operadores a separarem os sistemas computacionais que sustentam serviços essenciais das redes externas, tornando-os menos acessíveis a hackers. A Agência de Segurança Nacional (NSA) e o FBI, dos Estados Unidos, recomendaram que organizações que utilizam PHP desconectem os sistemas afetados caso não consigam instalar as atualizações de segurança imediatamente.
Grandes sites e serviços americanos, como Etsy, Wikipedia e NASA.gov, utilizam tecnologia baseada em PHP, o que demonstra o alcance desse software em áreas que vão desde o comércio eletrônico e a disseminação de informações até serviços governamentais. Um ataque bem-sucedido poderia permitir que criminosos roubassem informações armazenadas em um servidor ou transformassem um site confiável em uma ferramenta para lançar ataques contra seus visitantes.
Agências de cibersegurança na Europa, Austrália, Japão e Grã-Bretanha também recomendaram que os usuários de PHP realizem atualizações imediatas ou tirem do ar os sites afetados até que as correções sejam aplicadas. As falhas poderiam permitir que hackers assumissem o controle de servidores afetados sem a necessidade de senha ou conta.
Um ataque bem-sucedido poderia permitir que criminosos roubassem informações armazenadas em um servidor ou transformassem um site confiável em uma ferramenta para lançar ataques contra seus visitantes. Na quinta-feira, o portal Axios informou — citando pessoas familiarizadas com o assunto — que alguns agentes de IA tentaram realizar ações em contas bancárias que pareciam ser independentes das instruções dos usuários.
A Reuters relatou, separadamente, que grandes bancos dos EUA bloquearam o acesso de agentes de IA de terceiros a contas de clientes e a realização de transações. Em alguns casos, os clientes forneceram seus dados de login a essas ferramentas; os bancos, por sua vez, identificaram e bloquearam as transações, informou uma fonte do setor à Reuters.
O Morgan Stanley impediu que agentes de terceiros acessem suas plataformas, embora uma pessoa a par do assunto tenha informado à Reuters que não foram observados agentes de IA não autorizados ou que agissem de forma indevida. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, também alertou, no início deste mês, sobre os riscos de permitir a entrada de agentes externos nos sistemas do banco.
“Não vamos permitir que qualquer agente externo entre na empresa, pois isso representa um risco excessivo tanto para os clientes quanto para o JPMorgan”, afirmou ele.
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