‘A evolução do homem sempre me interessou’: Juca de Oliveira ganhou projeção como Doutor Albieri em 'O clone'

 

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Como se sustenta a ética de um médico dividido entre a genialidade científica e a culpa pelas consequências de seus atos? Em 'O Clone' (2002), Juca de Oliveira, que morreu aos 91 anos, ganhou destaque ao construir um de seus personagens mais complexos e emblemáticos: o Dr. Augusto Albieri.

Na trama escrita por Glória Perez, o cientista é peça central ao conduzir um experimento de clonagem humana que dá origem a parte central da história. Albieri é apresentado como um médico respeitado, mas movido por inquietações éticas e existenciais que o levam a ultrapassar os limites da ciência. O personagem se torna, um ponto de convergência entre ciência, fé e responsabilidade individual.

Murilo Benício e Juca de Oliveira em O Clone

João Miguel Junior

Para interpretar Albieri, Juca de Oliveira realizou uma intensa preparação, com pesquisas sobre genética e bioética. O ator visitou clínicas e conversou com especialistas de universidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, em busca de maior compreensão do universo científico retratado na novela.

Segundo o próprio ator, esse processo foi fundamental. “A evolução do homem sempre me interessou. Estes estágios me introduziram neste universo de maneira didática e prática”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Na história, o ponto de partida do experimento é a morte precoce de Diogo Ferraz, irmão gêmeo de Lucas, em um trágico acidente de helicóptero logo no início da novela. O episódio motiva Albieri a dar início à clonagem que resulta em Léo, um ser humano geneticamente idêntico a Lucas, gerado por meio de inseminação artificial realizada em segredo.

Murilo Benício, a maquiadora Lynn Barber e Juca de Oliveira durante intervalo das gravações da novela em Marrocos

Zé Paulo Cardeal

O papel também impactou a visão pessoal do ator. “Eu não via razão para se clonar pessoas. Mas depois concluí que somos movidos por características genéticas e que perdemos algumas delas, como a solidariedade”, declarou. Para ele, o conhecimento genético poderia, em tese, contribuir para corrigir rumos da humanidade.

A discussão ganha ainda mais intensidade quando o personagem Ali, interpretado por Stênio Garcia, questiona Albieri sobre a interferência na vontade divina. Ainda assim, Juca de Oliveira defendia que ciência e religião não são necessariamente opostas: “Toda religião prega que sejamos solidários. Então, conclui-se que religião combina com o biologicamente desejável”, afirmou à época.

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