O deputado federal André Janones (Rede-MG) ameaçou levar a militância para a frente do Supremo Tribunal Federal (STF) se a Corte não liberar os comentários nas transmissões das audiências públicas. A ameaça foi publicada no X nesta terça-feira (3), dia em que o STF fez uma audiência pública sobre a medida provisória que proibiu as bets no Brasil.
“Se não liberarem os comentários, na próxima audiência pública nossa pressão vai ser nas ruas! Vamos pra frente do STF protestar DEMOCRATICAMENTE e PACIFICAMENTE!”, escreveu Janones. No mesmo post, o deputado disse que nem mesmo “os bilionários donos das bets e seus vassalos” são capazes de “calar a voz do povo” e fechou com “Guardem esse tuíte e me cobrem! Quem viver, verá!”, seguido da hashtag #LiberaOsComentariosSTF.
O perfil oficial do STF respondeu ao deputado no próprio X, pouco antes do meio-dia: “Bom dia, deputado. Informamos que a seção de comentários nas transmissões ao vivo do STF no YouTube permanece desativada em todas as exibições.
Portanto, não se trata de uma medida específica para esta audiência pública.” Mais cedo, Janones já tinha criticado o ministro Luiz Fux, relator da ação.
No X, o deputado escreveu que “algo muito estranho está acontecendo” e disse que Fux convidou para a audiência “apenas os interessados nas bets: clubes de futebol, donos de bets, casas de apostas, CBF e etc”. No mesmo texto, avisou que a primeira-dama Janja estaria presente e que “o nosso exército estará acompanhando tudo e denunciando qualquer manobra sorrateira para liberar a atuação das bets novamente”.
A audiência discute os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa. O encontro foi convocado por Fux na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), e reuniu 34 participantes, com transmissão pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.
Na abertura, Fux rebateu a crítica: “Não procede alegação de que eu só convoquei empresas e times de futebol.” Com Lula reeleito, o deputado indica que esse tipo de pressão vai continuar no novo mandato.
“Nesse novo Brasil que se inicia, com uma comunicação digital ativa e com ruas e redes conectados, NINGUÉM NUNCA MAIS VOTA NADA ESCONDIDO DO POVO!”, escreveu Janones nesta terça. Pouco depois da resposta do STF, Janones voltou ao X: “É sério que tão querendo medir forças com o POVO?”.
Até o fim da tarde, o deputado não tinha marcado data para o protesto. A audiência pública não julga a ação: as falas dos participantes servem de base para o voto do relator.
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