A CPMI do Banco Master e o Mercado Político nas Eleições 2026

A CPMI do Banco Master e o Mercado Político nas Eleições 2026

 

Fonte: Bandeira



A CPMI do Banco Master revela que o mercado político possui regras, onde o pragmatismo e a sobrevivência eleitoral atropelam, sem qualquer pudor, as promessas de moralidade pública. O enredo ganhou contornos de thriller político com o vazamento seletivo de áudios e detalhes dos negócios envolvendo o Senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


O conjunto de revelações e a postura vacilante do senador diante do escândalo, alimentaram a narrativa de que a principal candidatura de oposição ao governo desmoronaria. Contudo, a pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira trouxe um balde de água fria nos analistas mais apressados e, principalmente, no núcleo duro do Partido dos Trabalhadores.


A avalanche de notícias negativas arranhou a imagem de Flavio, mas não produziu o nocaute esperado. Ele sobreviveu ao primeiro impacto, ancorado no sólido e resiliente ecossistema do antipetismo. Se as acusações que ligam o grupo de Vorcaro à oposição fossem o único combustível dessa história, o Palácio do Planalto estaria mobilizando toda máquina pública, para instalar a CPMI imediatamente. Transformando as comissões em um palanque de desgaste diário contra os adversários.


O motivo desse recuo estratégico e do silêncio ensurdecedor da base governista, atende pelo nome de contaminação cruzada. O mercado financeiro e os fundos de investimentos que orbitam o Caso Master, possuem ramificações profundas, que podem alcançar a esquerda.


Instalar a CPMI do Banco Master, significaria abrir uma avenida de mão dupla, onde a oposição também teria espaço para contra-atacar, convocando operadores, vasculhando repasses e expondo as vísceras de negócios escusos, que o governo prefere manter na penumbra.


É mais conveniente para a estratégia petista, explorar o escândalo Flávio-Vorcaro a conta-gotas na imprensa, utilizando o aparato de comunicação para manter a rejeição ao senador alta, enquanto evita-se o risco de um efeito bumerangue, que incendeie a Esplanada dos Ministérios e parte da Cúpula do Judiciário.


A persistente rejeição ao presidente Lula no último Datafolha, mesmo em meio à crise de seu principal oponente, acendeu o sinal de alerta no comitê governista. Medidas com forte apelo eleitoral e o uso da máquina pública não têm se traduzido em ganho de popularidade robusto, demonstrando que o eleitorado está atento às conveniências políticas de cada movimento.


Faltando pouco menos de cinco meses para as eleições, a política brasileira entra em sua fase mais cruel e pragmática. A CPMI do Banco Master, tornou-se o espelho de um Congresso que calcula o custo de cada depoimento e de um Executivo que teme o tamanho do rastro que suas próprias alianças deixaram no mercado. No xadrez de 2026, a verdade é a primeira moeda de troca, e sobreviverá quem souber usar o escândalo alheio como escudo para os seus próprios segredos.


Denis Farias é advogado especialista de Direito Eleitoral e estrategista político.