O que esperar de uma família que fez da política um negócio particular, transformou o ódio em combustível eleitoral e passou anos vendendo uma fantasia de coragem enquanto atacava adversários, instituições e qualquer um que ousasse contrariá-la? O que esperar de um clã de milícia que se apresentou como guardião da moralidade, mas acumulou controvérsias patrimoniais, colecionou conflitos políticos e tratou a democracia como um instrumento descartável sempre que o resultado das urnas deixou de ser conveniente?
A resposta está diante dos brasileiros: uma política de morte, ressentimento e irresponsabilidade que agora precisa enfrentar as consequências de seus próprios atos. O líder da quadrilha, que debochou dos 700 mil mortos na pandemia, está preso por tentativa de golpe.
O 03 foi demitido por abandono de cargo após fugir para o Estados Unidos, coisa que pelo visto aprendeu com o 01. Após ser massacrado nas urnas, Flávio Bolsonaro fugiu do país.
A última visita que recebeu foi do advogado Frederick Wassef, que ficou conhecido por esconder Fabrício Queiroz durante o período em que Flávio foi investigado no caso da rachadinha pelo MP-RJ. Depois de posar de patriota, Jair Bolsonaro deixou o Brasil após a derrota de 2022, passou duas noites na Embaixada da Hungria e acabou condenado por trama golpista.
A história é emblemática. O então presidente deixou o Brasil e embarcou para os Estados Unidos antes de terminar o mandato.
Posteriormente, a Polícia Federal concluiu que a saída buscava evitar uma eventual prisão e aguardar o desfecho dos atos golpistas de 8 de janeiro. Em fevereiro de 2024, depois de ter o passaporte apreendido, Bolsonaro passou duas noites na Embaixada da Hungria.
O desfecho foi ainda mais grave: Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por sua participação na trama golpista, que incluía planos para assassinar autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Agora, sem explicar para onde foram os milhões que recebeu de Daniel Vorcaro, Flávio repete a cena.
O bolsonarismo construiu uma mitologia em torno da valentia. Seus integrantes posaram de guerreiros, convocaram seguidores para o enfrentamento, alimentaram fantasias de perseguição e se apresentaram como os únicos capazes de salvar o país.
A retórica é de guerra; o discurso, de combate; a promessa, de coragem. Mas há uma diferença brutal entre gritar contra inimigos imaginários e assumir as responsabilidades quando se é cobrado por seus atos, ou melhor, crimes.
O Brasil é maior do que Jair Bolsonaro, maior do que seus filhos e maior do que o ressentimento que sustentou esse projeto político. O país não precisa de uma família que se julgue acima das regras.
Precisa de instituições fortes, memória histórica e cidadãos capazes de distinguir patriotismo de culto a um líder. Que o bolsonarismo permaneça na história como uma advertência, não como um modelo.
Que seus erros sejam lembrados, não repetidos. E que a próxima geração de políticos compreenda aquilo que essa experiência tantas vezes pareceu ignorar: a democracia não é propriedade de quem vence, tampouco pode ser destruída por quem perde.
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