A aposta máxima dos presidenciáveis

 

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“Aposta máxima” é um filme de suspense policial estrelado por Ben Affleck e Justin Timberlake. A trama gira em torno de um estudante que acredita ter sido enganado por um jogo de pôquer on-line e decide enfrentar o dono do site. Em 2026, as plataformas de aposta on-line serão protagonistas do debate eleitoral. “Bets” é uma abreviação da palavra inglesa “betting”, ou apostas. O termo se popularizou no Brasil com o crescimento desses serviços. E desvendar o humor do eleitor brasileiro passa necessariamente em compreender esse fenômeno.

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Primeiro, o governo Lula segue ainda, segundo as pesquisas, com um saldo recorrentemente negativo de popularidade. Os atuais índices de inflação, desemprego e renda, em outros tempos, produziriam patamares de aprovação melhores. A pergunta natural é o que faz a opinião pública se deparar, por exemplo, com níveis de emprego melhores e mesmo assim expressar desconforto em relação à gestão federal. Inclusive entre eleitores que escolheram Lula em 2022.

As respostas econômicas são inúmeras e podem passar pela piora da qualidade dos empregos, aumento da informalidade, nível de preços impeditivo para diversos produtos ou excessiva carga tributária.

Todavia, o nível corrente de endividamento familiar sufoca qualquer indicador. Há uma combinação de alto percentual de famílias endividadas (80,4%, segundo aponta a Confederação Nacional do Comércio) e com significativo comprometimento da renda com dívidas bancárias (praticamente de 50%, segundo o Banco Central). A inadimplência, por consequência, bate recordes e gera um contingente de 80 milhões de pessoas negativadas.

A pesquisa Meio/Ideia de maio amplia essa leitura. Para 42% dos entrevistados, o custo de vida e o endividamento são cruciais para a decisão do voto (mais do que temas como saúde, corrupção e segurança pública). Nesse contexto, além das altas taxas de juros que os brasileiros pagam para acessar crédito (especialmente o bancário), outro elemento entra com protagonismo máximo nessa equação de endividamento: as apostas.

A mesma pesquisa mostrou que 25% dizem ter feito, pelo menos, uma aposta on-line nos últimos 30 dias (entre os homens foram 29%) e 28% acreditam que alguém da própria família também fez, mas não contou para ninguém. E pior, para 64 % as bets estão viciando os brasileiros e brasileiras. Além disso, 61% acreditam que elas aumentam o endividamento das famílias. Nos grupos focais que testemunho não faltam histórias de descontrole e dívidas relacionados a esse tema.

O presidente Lula parece ter compreendido a situação e, assim como o personagem de Timberlake, resolveu confrontar as plataformas de apostas e jogar seu ativo eleitoral em alternativas de refinanciamento. Se será suficiente para recuperar a popularidade, ainda não é possível saber. O PT já entrou em outras campanhas oferecendo como novidade o Bolsa Família e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), agora só resta falar da mudança na tabela do IR e um programa de alívio de dívidas. De qualquer maneira, apontar caminhos para reduzir o endividamento passa a ser crucial em 2026 para todos os presidenciáveis. Nisso, podem apostar.