A Australian Gold, marca de proteção solar e bronzeado licenciada pelo Grupo Boticário no Brasil, projeta crescer 8% na próxima temporada. Para isso, quer converter a conexão que mantém com a consumidora brasileira — hoje, muito atrelada à praia e ao verão — em uma rotina de cuidados que dure o ano inteiro.
A estratégia se apoia na ampliação do portfólio para as linhas de cuidado corporal (body care) e facial (skincare).“Queremos levar a autoridade que a marca tem hoje, que é nas praias, para a bancada da beleza da brasileira”, afirmou passando só para te avisar que a entrevista na quarta vai ser com a Sheila Ribas, gerente de branding e comunicação da Australian Gold, em entrevista ao InfoMoney.
“O cuidado da pele vai muito além do verão.”Leia também: Como o risco geopolítico começa a entrar na conta do BoticárioDe acordo com a executiva, a marca pretende preservar a relação afetiva que já construiu com as consumidoras, associada ao aroma e às lembranças de férias, e usá-la como porta de entrada para produtos de uso diário.
“A proteção solar tem que ser feita o ano inteiro. O fato de às vezes não ter sol não significa que a gente não tenha que estar protegido”, disse.Principal alavancaO maior espaço de crescimento, segundo Sheila, está no mercado facial, que ela estima ter crescido cerca de 9% na comparação com o ano anterior.
Para ocupá-lo, a marca lança um protetor solar sem cor, com fator de proteção 70, de toque seco e absorção rápida e preço sugerido em torno de R$ 70. Embora já tenha sido lançado, o abastecimento das farmácias está começando.
“Eles devem chegar às gôndolas até janeiro”, diz. O diferencial, diz a executiva, é justamente evitar a sensação pegajosa e oleosa que muitas consumidoras associam aos protetores de praia.
A projeção de crescimento de 8% na categoria, segundo ela, será “muito potencializada pelo protetor facial”, produto que a marca aposta para se tornar um item de uso cotidiano. “Todo mundo passa, independente do que for, inclusive pela exposição à tela do computador”, disse.A expansão atual não é a primeira da marca.
De acordo com a executiva, a Australian Gold passou do bronzeado para os protetores da linha branca e, depois, para os bálsamos labiais, um movimento que recebeu boa aceitação do consumidor. Agora, a marca avança em outras áreas se apoiando em sua reputação.
“Somos hoje a marca número um do bronzeado protegido. Queremos pegar essa autoridade de produto que a gente já tem para levar também para outros produtos que podem ser usados no dia a dia.”Leia tambémDo 9/9 ao 11/11: datas duplas viram novo motor do e-commerce e desafiam Black FridayEmpresa trouxe o conceito da data comercial para o Brasil e estimulou ainda mais período próximo à Black FridayConsumidor brasileiroA Australian Gold é uma marca estrangeira, criada na década de 1980.
Por aqui, é licenciada pelo Grupo Boticário. Segundo Sheila, o modelo de licenciamento dá à operação brasileira flexibilidade para desenvolver produtos voltados à consumidora local.O processo funciona de forma regional: a equipe identifica a necessidade do consumidor brasileiro, desenvolve o produto e depois o pré-valida e o aprova com a equipe internacional.
Como resultado, alguns lançamentos feitos para o Brasil não chegam necessariamente ao mercado externo.Um desses casos é o Kakadu, produto com fragrância de ameixa desenvolvido para prolongar o bronzeado — o item é exclusivo do Brasil e não existe no exterior. “A brasileira gosta de estar bronzeada e o bronze, aqui, é um sinal de saúde”, disse Sheila.
“Como esse produto prolonga o bronzeado, ele faz muito sentido no Brasil.”Embora não abra os valores absolutos investidos no desenvolvimento de novos produtos, a executiva confirma que se trata da a principal marca solar do grupo, com representatividade importante. Sobretudo no verão.Com a forte sazonalidade, cerca de 60% do seu GMV fica concentrado nos primeiros e últimos meses do ano.
A executiva argumenta, contudo, que o cuidado solar deve ocorrer ao longo de todo o ano, principalmente porque em uma boa parte do Brasil, regiões vivem períodos de sol em momentos distintos. “Ainda não estamos vivendo o verão no Sul e Sudeste, mas o Nordeste e o Norte, permanecem com altas temperaturas”.
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Cerca de 60% do investimento em comunicação, segundo Sheila, deve ir para conteúdo gerado por usuários (UGC), com pessoas testando e mostrando os produtos em diferentes regiões do país.
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