Òṣàlá (Oxalá) nos mostra que a verdadeira força não está em levantar a voz, impor a vontade ou vencer o outro.
Quem é coberto pela força espiritual encontra a capacidade de permanecer inteiro quando a vida provoca, de escolher o bem quando seria mais fácil revidar e de manter a dignidade mesmo diante das dificuldades.
Na tradição dos Orixás, Èṣù (Exu), responsável pela comunicação e pelo movimento das relações, também é aquele que fiscaliza a conduta.
Nada passa despercebido aos olhos de quem acompanha os nossos caminhos.
Mas é em Òṣàlá, Orixá da vida e senhor do respeito e da dignidade, que encontramos um grande exemplo de ética e moral sagrada: a compreensão de que aquilo que fazemos com o outro também revela quem somos.
Porque não basta falar de fé.
É preciso viver aquilo em que acreditamos.
E onde existe fé verdadeira, a dúvida perde espaço.
Quando acreditamos que existe um caminho, encontramos forças para continuar, mesmo quando os nossos olhos ainda não conseguem enxergar a chegada.
É assim também com a coragem.
O medo pode ser uma reação natural do ser humano diante daquilo que ainda não compreende ou não consegue controlar.
Mas quem tem fé não se entrega ao medo.
Tem respeito diante daquilo que a vida apresenta, porque sabe que não caminha sozinho.
A fé nos ensina a aceitar, sem atrevimento, aquilo que naquele momento não podemos mudar, confiando na força dos Orixás para abrir caminhos, transformar o que precisa ser transformado e fazer com que, no tempo certo, aquela situação encontre o seu equilíbrio.
Quem tem fé não teme o caminho: respeita o caminho, porque sabe quem caminha ao seu lado.
A paz, por sua vez, não é apenas o silêncio ao nosso redor.
É a decisão de não alimentar a raiva, de não devolver uma ofensa com outra e de não permitir que a violência do mundo transforme o nosso coração naquilo que combatemos.
E o amor...
O amor verdadeiro nos ensina a baixar a guarda.
Ele impede que o orgulho nos faça perder pessoas, oportunidades e até mesmo a nossa própria essência.
Às vezes, amar é ter humildade para reconhecer que erramos, pedir perdão e recomeçar.
A gratidão também tem uma força imensa.
Ela nos faz olhar para aquilo que recebemos e perceber que nem tudo deve ser tratado como obrigação.
Quando somos gratos, o desprezo perde espaço e aprendemos a reconhecer o valor das pessoas, dos pequenos gestos e das bênçãos que, muitas vezes, só percebemos quando já passaram.
Os Ìtàn (mitos yorubás) nos mostram que uma das maiores lições de Òṣàlá é a humildade.
Porque quem se coloca acima dos outros acaba ficando sozinho no alto de um lugar que, na verdade, não existe.
A humildade sufoca a inveja porque nos ensina que a conquista do outro não diminui a nossa.
Cada pessoa tem o seu tempo, o seu caminho e o seu próprio destino.
Essas atitudes fazem parte das nossas escolhas diárias.
É no modo como tratamos quem não pode nos oferecer nada em troca que a nossa moral realmente aparece.
É quando ninguém está olhando que a nossa ética é colocada à prova.
A retidão espiritual não está somente no terreiro, no ritual ou na palavra que pronunciamos diante do Orixá.
O sagrado também está na maneira como apertamos a mão de alguém, trocamos a bênção, pedimos desculpas, respeitamos o próximo, cuidamos de quem precisa e, principalmente, escolhemos agir quando ninguém está nos obrigando a fazer o bem.
Talvez seja essa uma das grandes lições de Òṣàlá: não adianta carregar o nome do sagrado na boca se as nossas atitudes carregam o contrário no coração.
Que Òṣàlá nos ensine a ter uma fé que não seja apenas falada, mas praticada; uma coragem que vença o medo; uma paz que silencie a raiva; um amor que vença o orgulho; uma gratidão que apague o desprezo; e uma humildade capaz de calar a inveja.
Porque, no fim, o verdadeiro axé não se revela somente pelo que pedimos aos Orixás, mas, principalmente, pelo que fazemos com a vida que eles nos ajudam a sustentar.
Kí Òṣàlá fún wa ní ọgbọ́n lónìí àti títí láé! (Que Òṣàlá nos dê sabedoria hoje e sempre!)
Axé para todos!
A ajuda de Òṣàlá nas escolhas diárias
Fonte:
