A abstinência de álcool pode regenerar o fígado mesmo em casos avançados de cirrose, revela estudo; veja depois de quanto tempo

 

Fonte:


Ficar sem beber álcool de forma consistente e permanente pode levar à regressão de complicações hepáticas existentes, mesmo em casos de cirrose alcoólica avançada, como indica um novo estudo publicado na revista científica Journal of Hepatology.

‘Ainda é uma etapa muito inicial’: neurocirurgião detalha o que se sabe até agora sobre o potencial da polilaminina

Observar pássaros é mais do que um hobby: estudo revela que prática pode mudar a estrutura do cérebro; entenda

A nova pesquisa mostra que, em um período de cinco anos, 33% dos pacientes com cirrose alcoólica obtiveram um quadro de melhora completa das complicações hepáticas com recuperação simultânea da função hepática.

"A abstinência de álcool não só pode interromper a progressão da doença hepática, como em muitos pacientes pode até levar a uma melhora da cirrose. No entanto, é crucial que a abstinência de álcool seja mantida imediatamente após o surgimento de complicações — isso pode mais que dobrar a chance de recuperação", explica o líder do estudo, Thomas Reiberger, pesquisador da MedUni Vienna e do Hospital Universitário de Viena.

A cirrose hepática alcoólica é uma condição grave, caracterizada por lesões no fígado que se cicatrizam com o tempo, causadas pelo consumo intenso de álcool. Ela também pode levar a outras complicações, como acúmulo de líquido abdominal (ascite), alterações do estado mental (encefalopatia) e sangramento de varizes esofágicas (hemorragia varicosa), que são chamadas de episódios de descompensação.

É nesse ponto que a pesquisa desafia o que se sabia até agora sobre as possibilidades de recuperação: os cientistas acreditavam que apresentar essas complicações era um sinal de que a doença já havia se tornado irreversível.

"Nossos dados mostram claramente que, mesmo após o início de complicações graves, o curso da cirrose não é necessariamente irreversível", explica o autor principal, Benedikt Hofer, pesquisador da MedUni Vienna e do Hospital Universitário de Viena.

O trabalho acompanhou 633 pacientes com cirrose alcoólica da Europa e da Ásia. Todos os pacientes haviam iniciado a abstinência de álcool após apresentarem episódios de descompensação. Como resultado, nenhum dos pacientes que permaneceram abstinentes de álcool morreu de causas relacionadas ao fígado.

O risco de desenvolver câncer de fígado também foi significativamente reduzido nesse grupo, e a mortalidade geral foi significativamente menor.

"A recompensação deixou de ser um conceito puramente teórico e tornou-se uma condição clinicamente cada vez mais relevante, capaz de melhorar fundamentalmente o prognóstico de pacientes com cirrose avançada", Reiberger completa.

Segundo Hofer, a existência de ações de saúde voltadas ao apoio da abstinência pode evitar não somente mortes evitáveis, mas também os altos custos do tratamento médico de doenças hepáticas avançadas e suas complicações.

Perigo dos 'porres' ocasionais

Outra pesquisa, publicada na revista científica Nature Communications, mostra que a cirrose hepática alcoólica também pode ser desencadeada pelo consumo excessivo episódico em pessoas predispostas a desenvolverem a doença.

Os resultados revelaram que pessoas que consomem álcool em excesso e também têm uma predisposição genética à cirrose podem ter um risco seis vezes maior de desenvolver a doença, em comparação aos participantes do estudo que relataram consumo de álcool dentro dos limites diários. Os pesquisadores observaram que o risco era ainda maior entre os consumidores excessivos que também foram diagnosticados com diabetes tipo 2.

Quando consumo excessivo de álcool, predisposição genética e presença de diabetes tipo 2 estão presentes, os padrões de consumo de álcool podem desempenhar um papel mais significativo no desenvolvimento da cirrose do que o volume de consumo.

A partir da análise de 312.599 participantes, pesquisadores da University College London, do Royal Free Hospital, da University of Oxford e da University of Cambridge verificaram que aqueles que bebiam excessivamente de forma episódica eram mais jovens que a média e mais propensos a serem do sexo masculino. Eles bebiam com uma frequência menor por semana e eram mais propensos a consumir cerveja sem acompanhamento de refeições e a fumar.