9 em cada 10 brasileiros têm dificuldade em distinguir vozes criadas por IA no trabalho, mostra pesquisa
O avanço da inteligência artificial está tornando os golpes de engenharia social cada vez mais sofisticados dentro das empresas.
Segundo o relatório From Agentic Risk to Human Wins, da empresa de cibersegurança KnowBe4, 61% dos profissionais brasileiros admitem que poderiam ser enganados por um golpe de deepfake que imitasse um executivo ou outro integrante da organização.
O estudo também mostra que 90% dos trabalhadores no Brasil acreditam que conteúdos de voz e vídeo gerados por IA se tornaram tão realistas que está cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que é falso.
De acordo com a empresa, o cenário de ameaças evoluiu do phishing tradicional para manipulações hiper-realistas produzidas por inteligência artificial, capazes de combinar vídeos, clones de voz, e-mails, SMS e aplicativos de mensagens para simular interações legítimas dentro das organizações.
Além do crescimento dos deepfakes, o levantamento aponta desafios relacionados ao uso de IA nas empresas.
Segundo a pesquisa, 65% das organizações brasileiras já utilizam agentes autônomos de IA, mas 60% dos líderes afirmam que o uso da tecnologia ocorre sem aprovação formal ou sem uma estrutura consolidada de governança.
Entre os profissionais que utilizam IA no trabalho, 47% dizem recorrer, ao menos ocasionalmente, a ferramentas escolhidas por conta própria, em vez das soluções disponibilizadas pela empresa.
O relatório também destaca que fatores humanos continuam sendo um dos principais pontos de vulnerabilidade.
Cerca de 62% dos trabalhadores brasileiros afirmam que restrições de tempo, excesso de trabalho e distrações contribuem diretamente para erros de segurança.
Já 65% dos líderes de cibersegurança apontam falhas não intencionais durante atividades rotineiras como um dos comportamentos que mais impactaram a segurança de suas organizações nos últimos 12 meses.
Apesar desse cenário, apenas 33% das organizações pesquisadas alcançaram um nível de maturidade considerado alto em segurança, definido pelo estudo como uma cultura capaz de gerenciar simultaneamente riscos humanos e riscos associados à IA.
Ainda assim, 95% dos líderes de segurança afirmam acreditar que suas empresas estão preparadas para enfrentar ameaças emergentes impulsionadas por inteligência artificial ao longo dos próximos 12 meses.
Segundo Rafael Peruch, consultor técnico de CISO para a América Latina da KnowBe4, as organizações precisam ir além da identificação de falhas individuais.
"Para alcançar resultados positivos, as organizações devem projetar sistemas capazes de guiar o comportamento, construir culturas de apoio e mudar de uma abordagem baseada em rastreamento de falhas para uma que reforce ações positivas, estendendo a mentalidade de segurança tanto para agentes de IA quanto para humanos", afirma.
A pesquisa foi conduzida pela Vanson Bourne e ouviu 4 mil profissionais em diferentes regiões do mundo, entre eles 800 tomadores de decisão em segurança e 3.200 funcionários de organizações com 250 ou mais colaboradores.
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