83% das empresas listadas na B3, Bolsa de Valores Brasileira, atendem aos critérios de diversidade

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

Em 2026, 83% das empresas atendem aos critérios de medidas para diversidade previstos no Anexo ASG e supervisionados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo Bolsa de Valores do Brasil (B3), sediada em São Paulo, no levantamento feito em parceria com o Instituto Locomotiva. Comparado a 2025, a presença de pessoas de grupos sub-representados na alta gestão cresceu nos 290 negócios analisados.

Isso significa que essas companhias reportaram a presença de pelo menos uma mulher ou integrante de grupos sub-representados (pessoas pretas, pardas ou indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ ou pessoas com deficiência) no conselho de administração ou diretoria estatutária em seu último Formulário de Referência, um documento regulatório público entregue anualmente pelas empresas de capital aberto.

Entre 2021 e 2024, o estudo se chamava “Mulheres em Ações”. No início, ele trazia apenas números sobre a presença feminina nos conselhos de administração e diretoria estatutária. Com a ampliação da análise para incluir dados de cor e raça e de pessoas com deficiência, o estudo foi rebatizado em 2025 como "Lideranças Plurais".

Liderança feminina O levantamento apontou que, atualmente, 70% das empresas de capital aberto analisadas contam com ao menos uma mulher no conselho de administração, o melhor índice registrado desde que a B3 começou a medir o indicador, em 2021, ano em que o percentual alcançou o número de 55%. 

Já nas diretorias estatutárias, de cada 100 empresas listadas, 51 possuem ao menos uma mulher. A diretora de pessoas e comunicação interna da B3, Renata Caffaro, reforçou a relevância desta proporção que é, inclusive, a maior dos últimos seis anos de monitoramento. 

“Equipes diversas ampliam a pluralidade de perspectivas, contribuem para melhores decisões e fortalecem a capacidade das empresas de atrair e reter talentos em um mercado em constante transformação”, disse. Sem deixar de destacar que também não se pode ignorar os desafios persistentes a serem enfrentados. 

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Diversidade racial Os reportes sobre raça e cor revelaram que apenas 23% das companhias listadas declaram ter pelo menos um integrante pardo em sua diretoria estatutária, e apenas 2% reportaram a presença de pessoas pretas. Em 2023, ano em que esses dados passaram a ser incluídos nos Formulários de Referência, eram 11% e 2%, respectivamente. 

Nos conselhos de administração, 18% das empresas declaram ter ao menos uma pessoa parda, enquanto a presença de pessoas pretas foi de 5%. Em 2023, de forma respectiva, eram 9% e 4%. 

Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, as porcentagens que evidenciam o quanto a ampliação da representatividade racial continua a ser um desafio. “Os novos dados que analisamos mostram algum avanço, especialmente na presença de pessoas pardas, mas também deixam claro que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para aquela consolidação”, analisou.

O cenário, segundo ele, exige uma solução. “Para que a diversidade se aprofunde nas grandes empresas, é fundamental que ela chegue aos espaços em que as decisões estratégicas são tomadas, e que essa trajetória seja consistente e duradoura”, reiterou.

PCD O indicador da presença de pessoas com deficiência em posições de alta liderança das empresas listadas só passou a ser reportado de forma estruturada no Formulário de Referência em 2025. Neste conteúdo, constatou-se que o valor de pessoas com deficiência nos conselhos de administração chegou a 3%, enquanto nas diretorias estatutárias em 4%. Em 2025, a presença de pessoas com deficiência, em cada um desses órgãos, foi declarada por 3% das companhias. 

Anexo ASG  Em 2023, a CVM aprovou o Anexo ASG, documento com medidas propostas pela B3 para estimular a diversidade de gênero e a presença de grupos sub-representados em cargos de alta liderança e o reporte a respeito da implementação de boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa pelas companhias listadas.

O mecanismo proposto pela B3 é conhecido como “pratique ou explique”, no qual as empresas dão transparência ao mercado sobre as ações adotadas para o atendimento das medidas ou explicam os motivos da sua não adoção. A apresentação das primeiras evidências entrou em vigor em 2025.

Medida ASG 1 Nesta edição, o “Lideranças Plurais” também incorporou a leitura da Medida ASG 1 do Anexo ASG da B3, que prevê o reporte da presença de pessoas diversas nos órgãos da administração, no modelo “pratique ou explique”. Para essa análise específica, no estudo foi considerado o recorte das companhias que compõem o IBrX 100, índice que reúne ativos de maior liquidez e representatividade do mercado acionário brasileiro.

A Medida ASG 1 atesta a aderência das empresas a dois critérios de representatividade: ter uma mulher e um integrante pertencente a outro grupo sub-representado como membro titular do Conselho de Administração ou da Diretoria Estatutária.

Das 100 empresas pertencentes ao IBrX 100, 61 atendem aos critérios da medida ASG 1. Entre as 39 companhias que não atendem aos dois critérios, 32 reportaram a presença de mulheres na alta gestão, 3 contam com uma pessoa de outro grupo sub-representado e apenas 2 não possuem mulheres ou pessoas de grupos sub-representados em seus conselhos ou diretorias.

 

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