8 de março. Coragem, denúncia e a luta das mulheres
Hoje, 8 de março, celebramos o Dia Internacional das Mulheres. Mas, diante da realidade que vemos todos os dias, fica uma pergunta no ar. O que exatamente há para comemorar?
Aqui no Rio de Janeiro vivemos mais um episódio doloroso. Uma jovem de 17 anos foi estuprada dentro de um apartamento em Copacabana. Um fato que fere a dignidade humana e revela, mais uma vez, a violência cruel que tantas mulheres enfrentam.
Números que revelam uma realidade dura
Segundo matéria do g1, dados do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro mostram que 7.556 medidas protetivas de urgência foram concedidas a mulheres vítimas de violência apenas entre 1º de janeiro e 6 de março de 2026. Esse número revela uma média de cerca de 116 mulheres por dia procurando a Justiça para proteger a própria vida.
Essas decisões incluem processos nas varas especializadas e também atendimentos feitos no plantão judiciário. Os dados mostram a dimensão da violência doméstica em nosso estado.
O Observatório Judicial da Violência contra a Mulher aponta ainda que, entre 1º de janeiro e 6 de março, o Plantão Judiciário Noturno registrou 2.357 novos casos relacionados à Lei Maria da Penha. Desse total, 2.002 foram pedidos de medidas protetivas de urgência. São números que não podem ser ignorados.
Mobilização e acolhimento
Neste sábado, 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, atos aconteceram em várias partes do Rio pedindo mais proteção e segurança para evitar a violência e os casos de feminicídio.
Na Rocinha, a quadra esportiva se transformou em um espaço de acolhimento e mobilização social.
O projeto Defensoria por Elas ofereceu orientação jurídica e diversos serviços importantes. Entre eles, atendimentos sobre pensão alimentícia, divórcio, agendamento para exames de DNA em investigações de paternidade e apoio especializado para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Hoje, domingo, 8 de março, na orla da praia de Copacabana, a partir das 11h30, acontece uma série de manifestações contra o feminicídio e a violência que atinge as mulheres. São clamores urgentes que precisam do envolvimento de toda a sociedade.
O que devemos celebrar
Então, o que comemorar diante de tanta dor? Não se celebra a tristeza. Não se celebra a violência.
Mas há algo que precisa ser profundamente celebrado. A coragem dessas mulheres que denunciam. Mesmo feridas, mesmo com medo, elas encontram força para buscar justiça e expor os criminosos diante da sociedade.
A voz que denuncia
No ano passado estive presente no lançamento do livro Agressão – A escalada da Violência Doméstica no Brasil, da jornalista Ana Paula Araújo, publicado pela Globo Livros.
A obra denuncia as causas e os mecanismos que mantêm viva a violência contra as mulheres no país, mesmo diante de uma das legislações mais avançadas do mundo.
O livro reúne entrevistas feitas em todas as regiões do Brasil. Ali estão relatos de vítimas, agressores, médicos, psicólogos, juristas, policiais e especialistas. Um retrato real da violência que tantas mulheres enfrentam. Com esse trabalho, Ana amplia o debate e ajuda a romper o silêncio que por tanto tempo encobriu esses crimes.
Assim como Ana Paula, muitas outras mulheres seguem na luta contra o feminicídio, que infelizmente continua crescendo segundo dados de diversas instituições.
Um chamado para os homens
Para nós, homens que honramos nossas mães, irmãs, filhas, netas, namoradas, esposas, companheiras e amigas, ver homens que desrespeitam, maltratam e matam mulheres fere a consciência, causa vergonha e provoca uma profunda reflexão. Por que agir com violência contra uma mulher, esquecendo que todos nós nascemos do ventre de uma mulher?
A força que precisa continuar
Por tudo isso, este dia deve ser também um reconhecimento da força de vocês. Não parem. Não desistam. Não deixem de denunciar. Todas vocês são especiais e todos os dias pertencem a vocês.
Deixo aqui o meu abraço respeitoso, pedindo a Oxalá, senhor da vida, que proteja cada uma de vocês e que a justiça de Xangô seja firme contra todos que atentarem contra a dignidade das mulheres.
Parabéns, mulheres. Vocês encantam o mundo, oferecem amor e nos trazem a vida.
Axé para todas!
