78% dos estudantes usam IA para estudar, mas só 5% têm orientação; entenda - QTU Questões do Universo

78% dos estudantes usam IA para estudar, mas só 5% têm orientação; entenda

Fonte: Bandeira da fonte

A Opera realizou uma pesquisa com mais de 2.400 estudantes brasileiros, de 14 a 35+ anos, para investigar como a inteligência artificial está mudando a experiência acadêmica.
O levantamento ocorreu entre 17 de abril e 5 de junho de 2026, por meio de formulário online nos navegadores da empresa.
Os resultados comprovam que os alunos já incorporaram a tecnologia aos estudos, mas ainda existem dúvidas sobre seu impacto no aprendizado e sobre a melhor forma de utilizá-la.
O cenário também chama atenção para o papel das escolas e universidades diante da rápida expansão da IA na educação.
Os dados revelam como os estudantes avaliam a tecnologia, quais aspectos consideram importantes para aprender com ela e o que ainda falta para que esse uso acompanhe as necessidades do ambiente acadêmico.
Confira os principais resultados da pesquisa e entenda o que eles revelam sobre a relação entre IA e educação.
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Índice
IA já faz parte da rotina de estudos dos brasileiros
Como os estudantes estão usando inteligência artificial
Estudantes reconhecem que o resultado depende de como a IA é usada
Uso cresce mais rápido do que a orientação nas instituições
O que estudantes precisam aprender sobre IA
1.
IA já faz parte da rotina de estudos dos brasileiros
A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudos de 78% dos estudantes brasileiros, segundo a pesquisa da Opera.
Entre eles, 15% afirmam recorrer à tecnologia sempre que estudam, enquanto 22% dizem nunca utilizá-la para fins acadêmicos.
O levantamento ouviu mais de 2.400 estudantes, de instituições públicas e privadas, por meio de um formulário online disponibilizado nos navegadores da Opera.
A coleta ocorreu entre 17 de abril e 5 de junho de 2026.
Os números mostram que a IA deixou de ser uma ferramenta pontual na vida acadêmica.
Para uma parcela significativa dos alunos, a tecnologia já integra a rotina de estudos.
Além disso, 34% afirmam iniciar pesquisas diretamente em ferramentas de IA ou consultá-las antes dos mecanismos tradicionais de busca.
Para a diretora regional da Opera no Brasil, Juliana Psaros, esse cenário acompanha o avanço acelerado da tecnologia no país.
A executiva afirma que o Brasil aparece consistentemente entre os três países que mais utilizam IA.
Segundo ela, a adoção também cresce de forma exponencial no mundo, enquanto as instituições continuam no início da compreensão dos impactos da tecnologia na educação.
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2.
Como os estudantes estão usando inteligência artificial
Os estudantes brasileiros recorrem à inteligência artificial para compreender melhor os conteúdos e apoiar os estudos.
Segundo a pesquisa, 71% dos entrevistados afirmam que a tecnologia ajuda na compreensão dos conteúdos.
A IA também aparece na elaboração de trabalhos acadêmicos.
16% dos estudantes dizem utilizá-la com frequência como apoio nessa atividade, enquanto 31% fazem isso ocasionalmente.
Além disso, 31% usam conteúdos gerados pela tecnologia como ponto de partida e adaptam o material antes da entrega.
Outros 22% produzem seus trabalhos sem recorrer à IA.
A tecnologia também influencia como os alunos fazem pesquisas.
34% afirmam iniciar pesquisas diretamente em ferramentas de IA ou consultá-las antes dos mecanismos tradicionais de busca.
O dado mostra que essas ferramentas já ocupam um espaço relevante na busca por informações acadêmicas.
Os números mostram que a IA deixou de ser uma ferramenta pontual na vida acadêmica
Reprodução/Freepik
Os resultados, porém, não indicam apenas uma busca por respostas prontas.
A pesquisa demonstra que os estudantes também têm interesse em recursos que apresentem um passo a passo do processo de aprendizagem.
A confiabilidade das respostas também aparece como uma preocupação.
Para 52% dos entrevistados, esse é o principal aspecto que as ferramentas deveriam aprimorar, acima da velocidade das respostas.
Esses dados sugerem uma relação mais ativa com a tecnologia, que pode servir como apoio para compreender conteúdos, pesquisar informações, desenvolver trabalhos e descobrir melhores formas de aprender.
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3.
Estudantes reconhecem que o resultado depende de como a IA é usada
Para 44% dos estudantes que responderam à pesquisa, a inteligência artificial ajuda a aprender dependendo da forma como é utilizada.
O dado indica que os alunos não associam o uso da tecnologia a uma melhora automática no aprendizado.
A diretora regional da Opera no Brasil, Juliana Psaros, considera o resultado relevante porque mostra que os estudantes já percebem a necessidade de utilizar a tecnologia com responsabilidade.
“Esse é um sinal positivo, pois mostra que os estudantes brasileiros já entendem a importância de utilizar a inteligência artificial de forma responsável e que a tecnologia deve apoiar, e não substituir, o pensamento crítico”, afirma.
Usar a IA como tutora, com perguntas que estimulam o raciocínio, pode ajudar o estudante a construir a resposta em vez de apenas recebê-la pronta
Diedrich Bader/TechTudo
A diretora regional da Opera também observa que os próprios alunos estão aprendendo a navegar por essas ferramentas.
Para ela, existe espaço para transformar essa percepção em prática, de modo que a IA contribua para um aprendizado significativo e para a autonomia dos estudantes.
Na prática, uma resposta pronta não garante que houve aprendizado.
A ferramenta pode ajudar a esclarecer dúvidas, explorar um conteúdo ou encontrar novos caminhos para uma pesquisa.
Ainda assim, o estudante precisa analisar as informações e participar ativamente da construção do conhecimento.
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4.
Uso cresce mais rápido do que a orientação nas instituições
Apenas 5% dos estudantes brasileiros receberam orientação estruturada sobre como usar inteligência artificial nos estudos, segundo a pesquisa.
O número contrasta com os 78% que já recorrem à tecnologia para estudar e mostra o descompasso entre a velocidade com que os estudantes adotam a IA e a capacidade das instituições de orientar esse uso.
Esse descompasso também se evidencia na forma como escolas e universidades lidam com a tecnologia.
20% dos estudantes afirmam que suas instituições possuem políticas claras para o uso de IA, enquanto 32% recebem apenas orientações informais de professores.
Além disso, 40% dizem nunca ter recebido orientação institucional, e 9% estudam em locais que proíbem o uso dessas ferramentas.
Com a IA cada vez mais presente entre os estudantes, escolas e universidades ainda precisam definir formas de orientar o uso da tecnologia no ambiente acadêmico
Divulgação/Pexels (Yan Krukau)
Juliana Psaros afirma que a IA é uma ferramenta relativamente nova e que as instituições estão no início da compreensão de seus impactos na educação, apesar do avanço acelerado da tecnologia no Brasil e no mundo.
“Historicamente, tecnologias disruptivas com esse nível de impacto e velocidade de adoção levam tempo para serem incorporadas pelas instituições”, explica.
O cenário, porém, já começa a exigir respostas mais estruturadas.
Recentemente, o governo brasileiro lançou o Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, uma iniciativa para orientar as instituições sobre como abordar a tecnologia.
Para Juliana, o documento demonstra que o tema já ganhou espaço na educação.
A iniciativa surge em um momento no qual os estudantes já utilizam a IA em larga escala, enquanto as instituições ainda avançam na definição de como orientar esse uso.
“Nossa pesquisa contribui para esse cenário ao trazer mais detalhes sobre como os estudantes brasileiros estão, de fato, utilizando a IA em suas rotinas acadêmicas”, explica a diretora.
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5.
O que estudantes precisam aprender sobre IA
Com a inteligência artificial já presente nos estudos, o próximo passo é auxiliar os alunos a entender a melhor forma de usar essas ferramentas para o aprendizado.
Para Juliana Psaros, escolas e universidades têm papel importante nesse processo, especialmente na orientação sobre o uso responsável da tecnologia.
A percepção dos próprios estudantes aponta nessa direção.
Para 44% deles, a IA ajuda a aprender dependendo da forma como é utilizada, resposta mais escolhida no levantamento.
O dado mostra que os alunos já percebem que aprender com a tecnologia exige mais do que obter uma resposta pronta.
Juliana observa que eles estão tentando descobrir como aproveitar melhor essas ferramentas.
Nesse contexto, ela defende que a orientação pode ensinar os estudantes a avaliar criticamente as respostas da IA e reconhecer as limitações das ferramentas.
Também é necessário que as instituições auxiliem os alunos a entenderem quando a tecnologia pode contribuir para uma pesquisa, esclarecer um conteúdo e apoiar outras etapas dos estudos, desde que se mantenha uma participação ativa nesse processo.
A proposta, segundo ela, é usar a IA como apoio ao processo de aprendizagem, sem retirar do aluno a responsabilidade pela construção do conhecimento.
Isso envolve preservar a autonomia e o pensamento crítico, além de evitar que as respostas geradas substituam o próprio esforço.
“Escolas e universidades sempre tiveram um papel fundamental na orientação dos estudantes e na construção do pensamento crítico, e com a IA não é diferente”, afirma.
Nesse cenário, a orientação deve ajudar a transformar o uso da tecnologia em aprendizado significativo, tornando seu acesso e sua forma de uso mais inclusivos, e não apenas facilitar a obtenção de respostas.
Afinal, a IA já chegou à rotina acadêmica, mas a preparação para utilizá-la de forma consciente ainda precisa acompanhar esse avanço.
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