74% das mulheres afirmam que sofrem com acúmulo de funções no ambiente de trabalho

 

Fonte:


Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres se consolida como um momento de reflexão sobre os avanços e, sobretudo, sobre os desafios que ainda persistem no ambiente profissional. Apesar da maior presença feminina em diferentes níveis hierárquicos, as desigualdades estruturais seguem evidentes. O estudo “Oldiversity”, da Croma Consultoria revela que 74% das mulheres afirmam que, à medida que conquistam mais espaço no mercado de trabalho, também enfrentam aumento no acúmulo de funções e responsabilidades, um sinal de que crescimento profissional nem sempre significa relações mais equilibradas, mas, muitas vezes, a ampliação da sobrecarga.

Confira: Após oferta de R$ 10 mil, Juju Ferrari passa a vender itens inusitados em plataforma

'Meu corpo sempre vira motivo de ataque': quem é a influenciadora criticada nas redes por aparência após fotos de viagem

O impacto desse desequilíbrio é sentido diretamente na saúde, bem-estar e qualidade de vida. A chamada tripla jornada — que combina carreira, tarefas domésticas e cuidados com filhos — continua recaindo majoritariamente sobre mulheres, aumentando os riscos de esgotamento físico e emocional. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 70% dos atendimentos por burnout no Sistema Único de Saúde (SUS) foram destinados a pacientes do sexo feminino.

Para Mila Rabelo, CLO da Paag, techfin de meios de pagamentos, a solução passa pela cultura corporativa. “É fundamental criar um ambiente que permita às mulheres estabelecerem limites, pedirem apoio e equilibrarem responsabilidades profissionais e pessoais. Isso envolve repensar a distribuição de tarefas, adotar flexibilidade real nos horários e preparar lideranças para identificar sinais de sobrecarga. Na Paag, por exemplo, buscamos refletir esse compromisso também na prática: hoje, as mulheres representam cerca de 37% do nosso quadro de colaboradores e 40% das posições de liderança. Saúde mental não é um benefício extra, é um pilar da gestão. Quando o compromisso é genuíno, todas crescem de forma mais equilibrada e sustentável”.

Mais do que uma questão de bem-estar individual, trata-se de um desafio estrutural que exige mudança cultural e compromisso institucional. Investir na saúde mental das mulheres não é apenas uma ação de responsabilidade social, mas uma estratégia essencial para promover ambientes de trabalho mais justos, sustentáveis e produtivos, capazes de valorizar plenamente o potencial e a contribuição feminina.

“Crescer na carreira não deveria significar aceitar a sobrecarga como parte do processo. Quando o mercado passa a olhar com mais atenção para a saúde mental das mulheres, abre-se espaço para modelos de trabalho mais conscientes e equilibrados. Esse movimento ainda está em construção, mas é um passo importante para que o avanço feminino nas empresas venha acompanhado de condições reais de permanência, desenvolvimento e bem-estar”, finaliza a especialista.