3 fontes de proteína de alta qualidade para pessoas com mais de 50 anos, fáceis de incluir na sua dieta
Num mundo onde os hábitos alimentares estão passando por uma profunda transformação — e onde o valor nutricional compete pela atenção com os rótulos de marketing — as proteínas estão emergindo como estrelas indiscutíveis. Elas não são mais domínio exclusivo dos atletas: hoje são reconhecidas como nutrientes essenciais para o desenvolvimento, reparação e manutenção do corpo em todas as fases da vida.
As evidências são claras. De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a FAO, manter uma ingestão adequada de proteínas de alto valor biológico é crucial para prevenir a perda muscular, especialmente em idosos ou pessoas com doenças crônicas.
O Relatório Global de Nutrição de 2021 alerta que mais de 10% da população mundial não atinge os níveis necessários de consumo de proteínas, um número alarmante que explica o crescimento de produtos fortificados, rótulos como "+proteína" e o interesse por fontes alternativas e sustentáveis.
Ao serem consultados, especialistas destacaram três alimentos que são ricos em proteínas, completos, acessíveis e funcionais.
1. Ovos
Para muitos especialistas em nutrição, o ovo é um dos alimentos com a melhor relação custo-benefício. Cada ovo fornece seis gramas de proteína e cerca de 70 calorias, além de nutrientes essenciais como vitamina B12, riboflavina e vitamina D.
“Você obtém muita proteína com pouquíssimas calorias”, disse Bethany Doerfler, nutricionista e pesquisadora da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, ao The New York Times.
Sapna Batheja, professora adjunta da Universidade George Mason, destacou uma característica fundamental: a integridade de sua proteína. “Os ovos contêm todos os nove aminoácidos essenciais que o corpo não consegue produzir sozinho, o que os torna especialmente valiosos”, explicou.
Além disso, são versáteis, fáceis de preparar e transportar, principalmente depois de cozidas.
2. Iogurte
Presente na alimentação humana há mais de 4.000 anos, o iogurte combina tradição e evidências científicas. Sua origem acidental no Oriente Médio — quando o leite era fermentado em sacos de couro expostos ao calor — levou, séculos depois, à descoberta de suas bactérias benéficas e sua ligação com a longevidade.
— O iogurte é uma fonte de proteína de alto valor biológico , rica em aminoácidos essenciais como a leucina, fundamental para a síntese de enzimas, manutenção dos tecidos e recuperação muscular — afirmou a nutricionista Milagros Sympson.
Este alimento também fornece cálcio, gorduras saudáveis, vitaminas do complexo B e minerais como fósforo, potássio e magnésio.
Cerca de 100 gramas de iogurte natural integral contêm aproximadamente quatro gramas de proteína.
— Em dietas de baixa caloria, eles ajudam a aumentar a sensação de saciedade, o que pode auxiliar no controle do peso — acrescenta Sympson.
3. Microalgas
As microalgas, organismos microscópicos capazes de realizar fotossíntese, estão surgindo como um dos ingredientes mais promissores para um modelo alimentar mais sustentável. Certas variedades, como a Spirulina, contêm proteínas completas comparáveis às de origem animal: até 70% do seu peso seco pode ser proteína.
— São uma alternativa viável para pessoas com dietas à base de plantas — afirma o gastroenterologista Facundo Pereyra.
Mas seus benefícios não param por aí: seu alto teor de ômega-3 biodisponível os torna úteis para a saúde ocular e cognitiva em adultos mais velhos, enquanto seus polifenóis prebióticos beneficiam a saúde digestiva, e seu teor de ferro e proteína os torna um aliado interessante para atletas.
Quanto à forma de consumo, diferentes tipos de microalgas podem ser encontrados em pó, comprimidos ou cápsulas.
— Elas podem ser incorporadas à dieta sendo adicionadas à sopas, purês, caldos, smoothies, iogurtes, saladas e até sobremesas — destaca Sympson.
