Com cerca de 14 mil habitantes, Alfredo Chaves se destaca no Espírito Santo por um dado curioso: o município do Sul do Estado tem 23 cemitérios comunitários e apenas um público (na sede), o que dá uma média de um “campo santo” para cada 584 pessoas. A presença dos cemitérios comunitários, todos localizados no interior de Alfredo Chaves, está relacionada à formação histórica do município e à influência dos imigrantes italianos, que ajudaram a estruturar diversas comunidades do interior.
Segundo a pesquisadora e escritora Penha Franzotti Donadello, era comum que as famílias priorizassem a construção de uma pequena igreja e, ao lado ou atrás dela, um cemitério. “Para essas famílias, a igreja era o centro da vida social e espiritual, enquanto o cemitério atrás do templo representava a continuidade da fé além da morte”, explica.
A pesquisadora destaca que a proximidade entre a igreja e o cemitério tinha um significado religioso importante para aquelas famílias, que acreditavam que sepultar seus entes queridos perto do templo os mantinha próximos de Deus e sob as bênçãos da missa. “Hoje, esses pequenos cemitérios espalhados pelas comunidades de Alfredo Chaves guardam não apenas os restos mortais, mas os sobrenomes e a história de coragem dos nossos antepassados”, ressalta.
Alguns cemitérios do município são seculares e preservam registros de diferentes gerações, ajudando a contar a história das famílias e das localidades. Um exemplo curioso é o cemitério da comunidade de São Pedro de Matilde, onde, conforme relatos locais, o último sepultamento ocorreu há mais de 50 anos.
Nas comunidades do interior, os próprios moradores cuidam e administram esses espaços, em um trabalho que contribui para a conservação dos locais e para a preservação de uma tradição transmitida entre gerações. Na comunidade de Redentor, no distrito de Urânia, segundo contam moradores locais, o cemitério não existe mais, apenas resquícios dele, que foi um dos primeiros construídos na região, por volta de 1845, antes mesmo da chegada dos primeiros imigrantes italianos.
A Gazeta