2026 ou 2030? Como a eleição deste ano pode definir os próximos passos da direita

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Salvo uma grande surpresa no próximo domingo, a eleição presidencial de 2026 foi tão decepcionante quanto a de 2022 para os grupos políticos alternativos ao lulismo e ao bolsonarismo. Naquele ano, em que o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputou o Planalto contra o então incumbente Jair Bolsonaro, essas candidaturas não conseguiram sequer romper a marca de 5% dos votos. Agora, apesar do salto de Augusto Cury por algumas semanas, nenhuma candidatura chegou perto de ameaçar os dois líderes.

E o horizonte para aqueles que gostariam de quebrar a rotina das últimas três eleições e não ver uma nova disputa centrada entre bolsonaristas e petistas tende a continuar nublado, especialmente se a candidatura de Flávio Bolsonaro se sagrar vencedora. A razão é simples: o senador bolsonarista, se estiver comandando o Planalto, terá a possibilidade de se reeleger em 2030, enquanto é certo que Lula não poderá mais concorrer, seja por razões legais, seja por razões físicas, ainda que, provavelmente, tentará fazer seu sucessor.

Esse quadro ajuda a entender, por exemplo, por que o candidato Renan Santos, do partido Missão, tem atacado tão dura e frontalmente a de Flávio Bolsonaro, apesar de terem muito mais afinidades ideológicas do que divergências, especialmente no tema da economia. Se Flávio vencer, a chance de Santos deixar de ser um candidato nanico diminui muito.

Embora tenha negado que a ida do representante do Missão ao debate, após decisão judicial, tenha pesado na decisão de desistir de ir ao evento, posteriormente cancelado pela TV GLOBO, a coincidência não pode ser desprezada. O representante do Missão prometia atacar o bolsonarista expondo todos as informações sobre investigações atuais ou pretéritas sobre ele em rede nacional, como, de resto, já tem feito em suas redes sociais. A questão é menos sobre moralidade e mais sobre cálculo político, pensando hoje e em 2030, que está logo ali.

Da mesma forma, o tímido empenho do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para alavancar Flávio no Estado, que ficou evidente no debate com Fernando Haddad no início dessa semana, demonstra que não é só a eleição de 2026 que está em jogo. Tarcísio era o favorito do mercado financeiro para representar a direita nessa eleição e demonstrou que queria a vaga ocupada por Flávio.

Em 2030, já não poderá mais disputar o Bandeirantes e comandar o Estado mais populoso do país, especialmente se for reeleito no primeiro turno e terminar sua gestão bem avaliado. O único incentivo que tem para se empenhar mais por Flávio seria uma pressão muito forte do bolsonarismo, especialmente vinda do pai do senador, que está em prisão domiciliar.

A campanha de Flávio demonstra perceber que o jogo de 2030 é um fator que prejudica a captura de votos, especialmente no primeiro turno, junto a eleitores da direita não bolsonarista.

A maior evidência disso é que, desde o início de sua campanha e em seu programa de governo, tem dito que não disputará a reeleição, caso seja eleito. Na transmissão ao vivo na noite de ontem, após sua desistência e o posterior cancelamento do debate, Flávio voltou a dizer isso. Em conversas com investidores ao longo da campanha, sua auxiliar Daniella Marques, sabendo que a praça financeira paulista (Faria Lima) sonhara e trabalhara pela candidatura de Tarcísio de Freitas, enfatizou que Flávio tem uma PEC pelo fim da reeleição e que ele seria o melhor caminho para pavimentar o caminho para Tarcísio 2030.

Porém, é sempre necessário olhar para a história para tentar mapear o futuro. São extremamente raros os casos de políticos que abrem mão de disputar reeleição. O próprio Lula em 2022 havia feito esse compromisso e aí está ele, com 80 anos e três mandatos presidenciais, tentando um novo.

Flávio pode dizer que é diferente, mas seu histórico recente, especialmente nas mentiras em que foi flagrado publicamente ao ser questionado sobre o filme Dark Horse, recomenda cautela com suas promessas. Especialmente quando se trata de poder, o que faz mais sentido é esperar que o político tentará aumentar seu espaço e não abrir mão.

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