13º salário: gastar, guardar ou quitar dívidas? Veja o que especialista recomenda

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O pagamento do 13º salário representa uma oportunidade para reorganizar as finanças, quitar dívidas e realizar compras planejadas. Mas, sem definir prioridades, o dinheiro extra pode acabar comprometido com diferentes despesas e deixar o trabalhador sem recursos para começar 2027.

A recomendação da planejadora financeira e educadora em finanças comportamentais Eliana Moraes é estabelecer um planejamento antes de receber o benefício. Segundo a especialista, o destino do dinheiro depende da realidade de cada família.

Enquanto algumas pessoas precisam reduzir dívidas, outras devem começar uma reserva de emergência ou se preparar para adquirir um bem. “Precisamos diferenciar aquilo que as pessoas precisam fazer daquilo que acabam fazendo diante dos apelos de consumo.

Por isso, minha orientação é definir as prioridades antes de receber”, afirma. Quitar dívidas exige planejamento

Para quem está endividado, a orientação é avaliar primeiro as despesas essenciais, como alimentação, moradia e saúde, além dos compromissos que podem resultar na interrupção de serviços básicos. Depois, o consumidor deve identificar as dívidas com juros elevados e buscar condições de negociação.

Eliana recomenda aproveitar o 13º para quitar ou reduzir essas pendências, especialmente quando há possibilidade de conseguir descontos. No entanto, ela alerta que destinar todo o dinheiro a um único acordo pode comprometer o orçamento dos meses seguintes.

“Quando a pessoa entrega o dinheiro todo em um único acordo, ela pode precisar recorrer novamente ao cartão ou ao cheque especial para viver dali para frente”, explica. Por isso, a decisão deve considerar não apenas o valor da dívida, mas também os gastos necessários para manter a família nos próximos meses.

Não existe uma porcentagem ideal do benefício para quitar débitos: a divisão precisa levar em conta a situação financeira de cada trabalhador. Vale a pena usar o 13º para comprar um carro?

Quem pretende comprar um carro, uma moto ou outro bem de maior valor deve avaliar se a aquisição pode esperar. De acordo com a planejadora, juntar mais dinheiro pode reduzir o valor financiado ou até eliminar a necessidade de contratar crédito.

A compra à vista também pode proporcionar descontos e evitar juros, desde que não comprometa todos os recursos disponíveis. Mesmo quando o bem é necessário para trabalhar, é importante comparar as condições de pagamento e calcular o impacto da aquisição no orçamento.

No caso de veículos, o planejamento deve incluir despesas que vão além da compra. Combustível, manutenção, seguro, IPVA, documentação e estacionamento podem aumentar significativamente o custo mensal.

“Essa decisão precisa considerar quanto vai custar comprar e manter esse bem”, afirma. Eliana Moraes explica o que fazer com o 13º | Foto: Arquivo pessoal

Parcela baixa não significa financiamento vantajoso Antes de assumir um financiamento, o consumidor deve observar o Custo Efetivo Total (CET), indicador que reúne os juros e outros custos da operação.

A análise também deve considerar o valor da entrada, o prazo do contrato e a quantia total que será paga até o fim do compromisso. Outra medida recomendada por Eliana é colocar no papel a renda líquida, as despesas essenciais, as parcelas já existentes e os gastos sazonais, como impostos e matrículas escolares.

A nova prestação precisa caber no dinheiro que realmente sobra, sem eliminar a possibilidade de enfrentar imprevistos. Quando a compra não é urgente, a especialista sugere guardar, durante alguns meses, o equivalente à prestação e aos custos adicionais do bem.

Se isso exigir atrasar contas ou recorrer ao crédito, pode ser necessário rever a decisão. “Como eu costumo dizer, parcela que cabe na renda nem sempre será uma parcela que vai caber na sua vida”, afirma.

Reserva de emergência pode ser prioridade Para quem está com as contas em dia, mas não consegue guardar dinheiro, o 13º pode servir como ponto de partida para uma reserva de emergência.

A ausência de dívidas não significa necessariamente estabilidade financeira: sem recursos disponíveis, qualquer despesa inesperada pode levar ao endividamento. “Quem não tem reserva, qualquer imprevisto vira uma urgência”, diz Eliana.

A recomendação é separar uma parte do benefício para formar uma reserva destinada a situações como perda de renda, despesas médicas ou reparos inesperados. Esse dinheiro deve ficar em uma aplicação de baixo risco e com facilidade de resgate, adequada à finalidade de emergência.

A especialista cita como exemplo um Certificado de Depósito Bancário (CDB) que pague 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). A escolha, porém, deve considerar as condições do produto, a liquidez, os riscos e a proteção aplicável.

O tamanho da reserva deve ser construído gradualmente, conforme as despesas essenciais, a estabilidade da renda e as responsabilidades familiares. Não é necessário formar todo o montante de uma vez, mas começar a poupar pode reduzir a dependência de empréstimos em momentos de dificuldade.

Como evitar começar 2027 no vermelho Entre os erros mais comuns no uso do 13º está contar com o mesmo dinheiro para pagar dívidas, comprar presentes, viajar e cobrir as despesas de janeiro sem calcular o total dos compromissos.

Eliana também chama a atenção para a ideia de gastar todo o benefício como recompensa pelo trabalho realizado durante o ano. Para ela, o trabalhador pode aproveitar parte do dinheiro, desde que preserve recursos para as necessidades futuras.

“Depois de trabalhar o ano inteiro, precisamos gastar tudo como recompensa. ‘Merecemos desfrutar.’ Merecemos, sim! Mas também merecemos tranquilidade depois das festas”, afirma.

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