10 mulheres na tecnologia que fizeram história e você não conhece

 

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A história da tecnologia é marcada por contribuições decisivas de mulheres que, por muito tempo, foram invisibilizadas. Mesmo tendo liderado pesquisas, coordenado equipes e participado diretamente de avanços que transformaram a sociedade, muitas dessas cientistas ainda recebem pouco reconhecimento. Do desenvolvimento do Spanning Tree Protocol, responsável por organizar redes de computadores, às bases matemáticas que sustentam o GPS, passando pelo software que guiou a missão da Apollo 11 e por projetos fundamentais para a inteligência artificial, como o ImageNet, essas pesquisadoras estiveram no centro de iniciativas estratégicas em universidades, laboratórios e empresas, mas não receberam o devido reconhecimento.

No Mês Internacional das Mulheres, o TechTudo reúne dez pesquisadoras cujos trabalhos foram essenciais para áreas como internet, computação, criptografia e inteligência artificial. Suas contribuições ajudaram a moldar tecnologias que fazem parte do cotidiano de bilhões de pessoas.

🔎Primeiro computador moderno foi programado por mulheres; veja história

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Margaret Hamilton em uma réplica do painel de controle da Apollo 11

Reprodução/Divulgação

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Radia Perlman

Radia Perlman é programadora de softwares e foi pioneira da internet

Reprodução / Leo Martins / Agência O Globo

Cientista da computação, a americana Radia Perlman se formou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sendo uma das únicas mulheres da turma. Ela liderou o desenvolvimento do Spanning Tree Protocol (STP), tecnologia que ajuda a organizar o tráfego de dados dentro das redes de computadores. Padronizado pelo IEEE como 802.1D, o protocolo evita que informações fiquem circulando em “loop”, o que poderia travar ou derrubar conexões. Na prática, a tecnologia permite que switches, equipamentos usados para conectar vários dispositivos, escolham o melhor caminho para os dados. Dessa forma, mantendo a rede estável mesmo quando existem rotas alternativas.

Além disso, durante sua atuação na Digital Equipment Corporation (DEC), Perlman integrou equipes que trabalhavam na estrutura e no roteamento da internet em um período de grande expansão das redes. Ela também contribuiu para o desenvolvimento de padrões de segurança e melhorias em protocolos de comunicação, ajudando a construir a base que sustenta redes corporativas e domésticas no mundo todo até hoje.

Margaret Hamilton

Margaret Hamilton foi responsável pela programação da NASA para o programa Apollo

Reprodução/LinkedIn

A cientista de computação e matemática americana Margaret Hamilton liderou a equipe responsável pelo software de voo do módulo lunar da missão Apollo 11, na NASA. Atuando no MIT Instrumentation Laboratory, coordenou engenheiros que desenvolveram sistemas capazes de priorizar tarefas em tempo real, um recurso que foi decisivo durante o pouso na Lua. O trabalho ajudou a consolidar práticas modernas de engenharia de software, incluindo testes rigorosos, detecção de falhas e tratamento de exceções.

Hamilton também foi uma das primeiras a utilizar o termo “software engineering” (engenharia de software em português) para defender o reconhecimento da área como disciplina dentro de grandes projetos tecnológicos. Em 2016, recebeu a medalha Presidencial da Liberdade pelo ex-presidente Barack Obama.

Hedy Lamarr

Hedy Lamarr faleceu em 2000 aos 85 anos

Reprodução/IMDb

Conhecida como atriz de Hollywood, a austríaca Hedy Lamarr co-inventou, ao lado do compositor George Antheil, um sistema de comunicação por salto de frequência patenteado em 1942. A proposta buscava dificultar a interceptação de torpedos guiados por rádio durante a Segunda Guerra Mundial. Embora a tecnologia não tenha sido aplicada de imediato, o conceito se tornou base para sistemas modernos de comunicação sem fio, incluindo Wi-Fi, Bluetooth e redes móveis. O reconhecimento formal veio décadas depois, quando a comunidade técnica passou a valorizar a contribuição conceitual para espectro espalhado. Hedy faleceu em 2000 aos 85 anos.

Annie Easley

Annie Easley foi matemática e cientista da computação da NASA

Reprodução/Divulgação

Annie Easley nasceu em 1933, no Alabama, em um contexto de segregação racial nos Estados Unidos. Incentivada pela mãe a priorizar os estudos, foi contratada pela NASA em meados da década de 1950, integrando um grupo com maioria de homens brancos. Easley começou a carreira realizando cálculos matemáticos como “human computer” e, com a modernização dos sistemas, passou a atuar como programadora. Desenvolveu e implementou códigos usados em pesquisas sobre sistemas de conversão de energia, incluindo estudos relacionados a fontes alternativas como energia solar e eólica.

Ela também contribuiu para projetos ligados ao foguete Centaur, cuja base tecnológica apoiou lançamentos de satélites e missões espaciais posteriores, como a Cassini, enviada a Saturno em 1997. Em seus últimos anos na NASA, assumiu funções voltadas à promoção da igualdade de oportunidades, apoiando ações contra discriminação de gênero, raça e idade. Easley se aposentou em 1989 e faleceu em 2011.

Mary Jackson

Mary Jackson foi a primeira mulher negra com cargo de engenheira na NASA

Reprodução/Divulgação

A americana Mary Winston Jackson se formou em matemática e ciências físicas em 1942, no Hampton Institute. Após atuar como professora e em outras funções administrativas, ingressou no Comitê Consultivo Nacional de Aeronáutica (NACA), órgão que daria origem à NASA. Inicialmente, trabalhou na área de pesquisa e computação e, posteriormente, passou a integrar a equipe responsável pelo túnel de pressão supersônico - estrutura usada para estudar o comportamento do ar em altas velocidades.

Na sequência, essa tecnologia passou a ser utilizada em testes veículos espaciais. Para assumir oficialmente o cargo de engenheira, Jackson precisou obter autorização judicial para frequentar aulas em uma instituição que aceitava apenas estudantes brancos. Após concluir a formação, tornou-se a primeira engenheira negra da NASA. Ao longo da carreira, produziu relatórios técnicos sobre aerodinâmica e, mais tarde, passou a atuar em programas voltados à promoção de mulheres e pessoas negras na agência.

Karen Spärck Jones

Karen Spärck Jones foi pioneira nos estudos de recuperação da informação

Reprodução/Internetmuseum

Muito antes da popularização do Google e de outros buscadores, a pesquisadora britânica Karen Spärck Jones já investigava como tornar a informação digital mais acessível. Em vez de exigir que usuários aprendessem linguagens técnicas para interagir com computadores, ela ajudou a desenvolver métodos que permitissem às máquinas interpretar palavras comuns. Seu trabalho foi decisivo para a evolução dos sistemas de busca como conhecemos hoje.

Uma de suas principais contribuições foi o conceito de Inverse Document Frequency (IDF), publicado nos anos 1970. A ideia parte de um princípio estatístico: quanto menos frequente uma palavra aparece em um conjunto de documentos, maior tende a ser sua relevância em uma busca específica. Esse modelo passou a integrar mecanismos de recuperação da informação, combinando estatística e linguagem natural para classificar resultados de forma mais precisa.

Spärck Jones desenvolveu grande parte da carreira dela na Universidade de Cambridge, onde atuou como pesquisadora e professora entre as décadas de 1970 e 2000. Após sua morte, em 2007, a British Computer Society criou o prêmio Karen Spärck Jones para pesquisadores da área de recuperação da informação e processamento de linguagem natural.

Shafi Goldwasser

Shafi Goldwasser é reconhecida por contribuições fundamentais à criptografia moderna

Reprodução/Divulgação

A americana Shafi Goldwasser construiu uma carreira internacional entre os Estados Unidos e Israel, tendo sido professora de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação no MIT e no Instituto Weizmann de Ciência, em Israel. Formou-se em matemática na Carnegie Mellon University e concluiu mestrado e doutorado em Ciência da Computação na Universidade da California. Ela é reconhecida como uma das principais responsáveis pela consolidação da criptografia moderna baseada em fundamentos matemáticos rigorosos.

Entre suas contribuições mais influentes está a coautoria do conceito de criptografia probabilística, que introduziu novas garantias de segurança em sistemas digitais. Também participou da formulação das chamadas provas de conhecimento zero, método que permite comprovar a veracidade de uma informação sem revelar o conteúdo em si, atualmente aplicado em protocolos de segurança e blockchain. Seu trabalho teve impacto direto na segurança de comunicações digitais, sistemas bancários, autenticação online e infraestrutura criptográfica da internet. Em 2012, recebeu o Prêmio Turing, considerado o “Nobel da Computação”, por contribuições fundamentais à criptografia.

Sophie Wilson

Sophie Wilson projetou o conjunto de instruções do processador ARM original na Acorn Computers

Reprodução/Escritório Europeu de Patentes

Sophie Wilson é uma das engenheiras por trás da arquitetura ARM, base de bilhões de dispositivos eletrônicos atuais. Nascida em 1957, no Reino Unido, desenvolveu interesse por tecnologia ainda jovem e, durante a graduação em Cambridge, já trabalhava com microprocessadores como o MOS Technology 6502. Após se formar, ingressou na recém-criada Acorn Computers, onde participou do desenvolvimento do Acorn Atom e, pouco depois, teve papel central na criação do BBC Micro, computador adotado em larga escala nas escolas britânicas nos anos 1980. Wilson também desenvolveu a linguagem BBC BASIC, pensada para ser acessível e eficiente, o que ajudou a popularizar o aprendizado de programação.

Também liderou o projeto do conjunto de instruções do Acorn RISC Machine (ARM), baseado no conceito de Reduced Instruction Set Computer (RISC). Décadas depois, a arquitetura passou a equipar smartphones, tablets e outros equipamentos móveis e hoje está presente em dezenas de bilhões de processadores produzidos globalmente. Wilson continuou atuando no desenvolvimento de microprocessadores após a aquisição da área de ARM da Acorn por outras empresas e segue sendo reconhecida por sua contribuição à computação moderna.

Gladys West

Gladys West contribuiu para modelos geodésicos da Terra utilizados em sistemas de posicionamento por satélite, incluindo bases matemáticas empregadas no desenvolvim

Reprodução/Divulgação

O trabalho da americana Gladys West foi fundamental para o desenvolvimento das bases do GPS. Nascida em 1930, em uma área rural na Virgínia, cresceu durante a Grande Depressão e enfrentou as barreiras da segregação racial nos Estados Unidos. O bom desempenho escolar garantiu uma bolsa para cursar Matemática na Virginia State College, em um período em que a área era majoritariamente ocupada por homens. Em 1956, ingressou no centro de pesquisa da Marinha dos EUA, onde passou a atuar com programação e modelagem matemática em grandes computadores.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, participou de estudos sobre a forma, a órbita e o campo gravitacional da Terra, produzindo modelos geodésicos de alta precisão. Esses cálculos serviram como base para sistemas de posicionamento por satélite que, com o tempo, evoluiriam para o atual Sistema de Posicionamento Global (GPS). West também atuou como gerente de projetos no satélite oceanográfico Seasat e permaneceu na instituição até sua aposentadoria, em 1998. Mesmo após problemas de saúde, concluiu o doutorado, consolidando uma trajetória marcada pela contribuição científica e social. Faleceu em janeiro de 2026, aos 95 anos.

Fei-Fei Li

A chinesa Fei-Fei Li é uma das pesquisadoras mais influentes do mundo em inteligência artificial

Reprodução/Divulgação

Nascida na China em 1976, Fei-Fei Li se mudou ainda adolescente para os Estados Unidos, onde se formou em Física e Ciência da Computação em Princeton e concluiu seu doutorado em Engenharia Elétrica no Caltech. Professora de Ciência da Computação em Stanford, liderou a criação do ImageNet, vasto banco de dados de imagens que se tornou referência mundial para o treinamento e avaliação de sistemas de visão computacional.

O projeto, iniciado em 2006, mobilizou equipes acadêmicas e colaboradores externos para organizar milhões de imagens categorizadas, estabelecendo um padrão comum para comparar algoritmos de reconhecimento visual. O trabalho impulsionou o avanço das redes neurais convolucionais (CNNs), que passaram a alcançar níveis inéditos de precisão. A partir das competições organizadas com base no ImageNet, foi possível acelerar o desenvolvimento de modelos que hoje sustentam ferramentas muito utilizadas em tecnologia e pesquisa. Considerada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes em IA, cofundou a organização AI4ALL, dedicada a ampliar diversidade e inclusão na área de inteligência artificial.

Com informações de O Globo, Internet Hall of Fame, Association for Computing Machinery, SBC Horrizontes, Nasa (1,2), MIT News, National Inventors Hall of Fame, IEEE Spectrum (1,2), Smithsonian Magazine, UFJF, Galileu (1,2), UFPR, Science Museum e Época Negócios.

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